A Rua do Benformoso (Lisboa) e o Carrer d’en Robador (Barcelona)

| Mouraria
“Bairro sujo e mal afamado ‘prenhe de tradições assassinas e devassas’, com as ruas manchadas de sangue, onde o vício teve templos. Verdadeiro, ‘quartel general dos rufiões e desordeiros, infestado de mulheres de má fama, de botequins e de batotas, valhacoutos de ladrões, de malfeitores e de galdérios.”
(Ribeiro, 1907: 257-258 citado por Menezes, 2012)

| Raval
“Había bastante miseria y poco lujo. La perversión tenía un carácter mediocre. Las calles de la ‘mala vida’ se hallaban en el casco antiguo. Ribera y Raval, separados por la Rambla, formaban la vieja Barcelona. Pero fue en el Raval donde comenzaron a concentrarse y a confeccionarse los intrigantes hilos del hampa barcelonesa. La proximidad del puerto, su tortuoso paisaje, la presencia de varios centros de recreo para la burguesía, además de contar con innumerables prostíbulos, tabernas portuarias y posadas, hicieron de este sector el punto neurálgico de una gran industria delincuente con todas sus posibles variantes.”
(Villar, 1996 :18 referindo ao período entre 1900 e 1914)

||Mouraria
“casas suspeitas, os hóteis para pernoitar, com a sua tradicional lanterna de luz frouxa, os seus cantos e recantos que protegem baixas aventuras”
(Fundação Calouste Gulbenkian, 1924: 145)

||Raval
“Como y duermo en el Barrio.Vivo y moriré en él. El vício no se cura. Es una enfermeda mental”
(Barcelona Gráfica, 1930)

|||Mouraria
“os bairros típicos da cidade necessitavam de uma nova imagem ou de um urbanismo civilizador. A miséria, o crime e os perigos do bairro desapareceriam se se deitasse ‘abaixo os bairros velhos, os bairros do vício e do crime, respeitando as recordações históricas e artísticas e conservando um ou outro aspecto integral.”
(Reis, 1908: 342 citado por Menezes, 2012)

|||Raval
“A fin de que puedan verse disminuidos los relatados excesos me he convencido por los informes de los Alcaldes de Barrio, de que otro de los medios y el más principal es disminuir el número de dichos establecimientos públicos en aquella demarcación mandando cerrar el que diese motivo a ello por los escándalos, desórdenes y actos criminales que en ellos se cometen .”
(Licencias obreras, 1838-1839)

||||Mouraria
“A tentativa de limpeza social da tão ‘insalubre’ e ‘mal afamada’ Mouraria, e que quase destruiu o bairro por inteiro, empurrou as prostitutas, os rufias, chulos e tascas que ali tinham alimentado muitas lendas, casos e enredos narrativos, para as extremidades de uma Mouraria alargada. E mais, em finais do século XX, nos espaços sociais deixados vagos por uma Mouraria de boémia decadente, logo apareceria a nova face da liminaridade urbana: sem-abrigo, traficantes, consumidores de droga e minorias étnicas.”
(Menezes, 2012: 76)

||||Raval
A Rua do Benformoso (Lisboa) e o Carrer d’en Robador (Barcelona)
“Un furgón de la guardia urbana fue situado en el centro de la vía de manera permanente. Se prohibió el tráfico rodado y la formación de corros callejeros. Los bares y pensiones fueron sometidos a un estricto control municipal. La polícia nacional realizaba numerosas batidas por los alrededores…”
(Villar, 1996: 239)

[Cruzam-se histórias e percursos de lugares distantes. A Mouraria em Lisboa e o Raval em Barcelona começam aqui a partilhar as experiências que têm para contar.]

Ana Estevens

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.