cruzamentos lisboa-sp. Sp.lisboa,

dos trânsitos que põe a pensar

 

 

menina do interior, quando chega em são paulo fica numa espécie de estado de susto. roubam-lhe o tempo? imperativo contemporâneo, o tempo que escoa, rápido, por entre milhares de fazeres. fazer dinheiro, fazer trabalho, fazer cidade, fazer arte. projetos a mil, são sempre tantas informações, questionamentos, críticos, engrenagem do mundo girando girando girando, conectando sem fim. só aqui, depois de oito dias a acompanhar os trabalhos e o festival pedras d’agua, nasce em escrita: o tempo do festival neste ano esteve mais lento? o festival deste ano deu-se tempo de pausas. abre uma temporalidade do estar que possibilita a convivência de corpos plurais em suas possibilidades de estar, acompanhar, percorrer e dançar.

lembro, numa das conversas “pós” pedras 2011,  uma pergunta um pouco aflita: que corpo é preciso ter para acompanhar este festival? (que durou, se me lembro bem, em 2011, 5 dias de manhã a noite). pergunta crucial essa, quando o trabalho está justamente em ter o corpo que se tem, hoje, agora, no encontro. o corpo que não sabe o que pode antes da experimentação. como fazer?  como esgarçar sem destruir? descontornar sem dilacerar? ter escuta de prontidão para afinar a ação ao que pulsa, pausando, continuando, lutando, respirando, rindo, gozando, sofrendo, e testando?

retorno ao tempo, tempo que o corpo leva para poder criar: alargamentos numa rua, tempo-lentidão, presença imperceptível. o tempo que levo para atravessar um oceano, deixar-me atravessar por milhares de intensidades e retornar ( e continuar no aqui-aí). se há uma linha aberta a partir do pedras, é a do tempo da lentidão. a possibilidade que não está apenas em sentar-mo-nos no largo do cotovelo, comer frutas, espaços de pausa no meio da rota. é isso e também algum inomeável que fura a lógica do tempo a correr para ver, correr para estar, correr para amar, correr por que se corre tanto hoje em dia. devo dizer que criar e sustentar a contemplação de um outro tempo está sendo um dos grandes trabalhos do pedras d’água 2012 em cruzamentos com as criações daqui.
(escrita e foto da amaranta, especialmente para dani)

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.