e agora?

ontem foi a conversa pós e pré pedras—mesmo sabendo que ainda não temos distância para articular em palavras o que foi (e continua sendo) o pedras12 estivemos 4horas e meia trazendo ao ar questões que se fizeram visíveis pelo caminho—a afinação entre macro e micro política foi um dos focos insistentes—-que micro não é trabalhar com micro pessoas ou micro lugares—-será antes estares a fazer o que estás a fazer apurando a ação na propria ação sempre pensando-agindo no mesmo brotar—-amaranta diz que macropolitica é quando você coloca um ideal à frente da capacidade de atravessar—-a ampliação que exercitamos implica mesmo abrir os olhos-pele e estarcom aquilo que ainda há pouco tinhas como estranho—estamos muito verdes ainda, ou sempre, mas parece-me que foi exactamente nessa micropolítica que nos vimos caminhar este ano—aprender a largar o “que devia ser” e afinar no que vai sendo—-somos muitos e com apuramentos muito diversos, foi um ano muito duro em que a densidade do trabalho nos mostrou irremediavelmente movimentos de cisão—acredito que a dança me diz que este corpo que vou sendo é infinito—-que o rasgo e a cisão co-existem com a fluidez de movimentos—sei que alguns buracos ficarão por tecer fazendo-se buracos geográficos que terei que integrar no caminho—outros abrem-se e fecham-se—pepe diz que as cidades têm sido contentores de gente e que esta nossa história é uma prática de conviver, de habitar e que é preciso continuar a lutar, a viver a escutar—-tenho dúvidas sobre continuarmos por esta zona geográfica da mouraria e intendente mas não quero decidir—confio na força da prática—-a macropolitica está muito forte por esta zona da cidade, grandes ideais, grandes empreendimentos—muita apropriação deste trabalho subtil, invisivel e proximo—há que trabalhar a liberdade para que não sejamos agarrados na trama mas também não criemos um cancro conflituoso que acabe por destruir quem aqui vive tão fragilmente—é uma questão de tónus, parece-me—quando na noite do cortar batatas co-existimos com a encenação dos fados muita ginastica se abriu ali—mas o sr.alexandre, a mariana, a antónia…acabaram por não ficar para o jantarinho que tinhamos preparado com tanto amor—-já estavam cansados da algazarra, já se fazia mais tarde do que podiam ficar—nem os vi ir embora por entre a comitiva do presidente—é um daqueles buracos que me magoam—um momento tão especial para nós que rapidamente se “enquadrou” na festa do fado———a conversa foi continuando pela elasticidade necessaria a quem nos encontra ou atravessa de se relacionarem com o não fixo, com o não localizável—-se o policia está ali para garantir a segurança de quem passa como se relaciona com um corpo deitado na estrada? se alguém, quer garantir a ordem e o “bom comportamento” como se dirige a um bando de crianças adultos e velhos a saltar à corda no meio da rua?—-bom, no final da conversa aqueles de nós que todas as segundas feiras estiveram com quem vive isolado em suas casas fomos a casa da piedade no largo da severa—-continuar a começar—-

sofia

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.