O novelo que é não-novelo como o chafariz que agora é não-chafariz

Às vezes torna-se complicado olhar para os objectos, para os sentimentos, para as pessoas. É tudo tão diferente. Às vezes é complexo. Outras vezes é difícil. Outras é tão divertido e simples…é abrir a cabeça e olhar adiante. O que é que não é só. O que está a mais e para além do que se vê. Gosto deste exercício. Olhar e ver. Está tudo ali mas…de que forma coordenar isto com aquilo, aquilo com isto…isto que é vermelho…depois roxo e no final castanho. Cores! Mas há depois o tecido… e a sua elasticidade. E ainda há a textura…uma mais rugosa, outra mais lisa. Mas talvez esteja tudo aí neste exercício. Tudo se agrupa de modo simples e sem grande complicação. Afinal tudo é bastante simples, mesmo quando parece tão grande, tão maior que qualquer um de nós. É no olhar as coisas, com o distanciamento possível e a simplicidade que merecem, que consigo ver.

No final do dia estava cansada. Mas cansada de quê? Porquê? Afinal não estiveste a fazer nada de especial? A tarefa não foi cansativa. Foi tão bom, afinal! Foi bom estar ali. Olhar. Sentir. Olhar. Sentir. E poder estar. Essa foi outra experiência. Mas talvez essa outra experiência me tenha trazido à memória a dificuldade do estar que sentia há um ano quando a cabeça circulava por outros caminhos mais duros. Agora na possibilidade do estar, e do bom que isso é, senti-me cansada no final. Senti o peso do não estar, estando, há um ano e do agora poder estar. Estar mesmo! E que bom que foi estar! Estar ali, mesmo que para nada ou para tudo. Estar ali. Estar. Olhar. Sentir. Pensar. Mudar. Transformar. O cordel era comprido. Media 1,5km. Agora mede menos mas pesa tanto. Dou-lhe um abraço e sinto a sua intensidade, como se molda a mim. Não tinha pensado num novelo. Tinha pensado na sua distância. Na distância percorrida e nas distâncias que percorremos para nos aproximarmos e para nos afastarmos de alguém ou de alguma coisa. Aproximar. Afastar. Depois o novelo deixou de ser novelo. E voltará a ser novelo? Talvez! Amanhã…ou talvez não. Como o chafariz que agora é não-chafariz. O ser que deixou de ser. Hoje, a distância ficou medida no chão. Tão próxima dele. Amanhã, talvez não…

ana estevens

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.