ela oferece a frente de sua casa

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(incontáveis vezes, durante o trabalho com a rua, me pergunto: como tornar-me menos visível nos lugares? talvez seja uma des-visibilidade da forma o que almejo, para que outras forças possam compor o momento.)

, de repente, ontem, a escada entre a rifaina e mundo novo, esteve povoada durante toda a primeira hora de estar. pessoas entrando e saindo de suas casas, que tem como frente, não a rua ou calçada, mas a escada. a chegada das conversas, dos olhares curiosos, de um outro espaço, menos esvaziado talvez.

também os cheiros- de arroz-feijão, de bueiro, de chiclete, o zum zum zum, as crianças acompanhando outras crianças, bola de futebol, mães, respiros ofegantes de subida. a garota de rastafári adentra as escadas lá de baixo enfática e distraidamente (ao mesmo tempo) e o encontro do gesto vertical do meu braço esquerdo com toda a movimentação espalhada por todos os lados da menina instaura uma PAUSA. ambas em pausa, olho no olho, vertical-lateral, na escada. sustentamos. enfim, a pausa cessa, eu sorrio, ela passa, o irmão passa, a mãe com um bebê passa, eu continuo. a pausa abra um silêncio inomeável que perdurou horas depois a rota. uma escuta dos sons a partir de um outro lugar. vontade de não rosto. e foi essa experimentação que se deu. corpo tentando esconder o rosto, faze-lo pedra. ser coluna, curva, pés insistentemente raspam no cimento dos degraus e as vezes algum matinho (…)

(amaranta)
(foto: priscilla carbone)

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.