primeira fanzine na rua ou o coelhismo pode vir a ser pior que o salazarismo!

esta sexta feira trouxemos para a rota a primeira fanzine. uma folha A3 dobrada e redobrada entregue pelo caminho em lugares que atravessamos continuadamente. historias, sugestões, críticas, anúncios, pensamentos e o mapa destas viagens que temos percorrido. a sensação é de tecer, costurar, bordar,“fazer malha”, talvez ouvir-criar uma sinfonia. entre a mouraria /intendente e o cais do sodré/rua da boavista fio a fio vai-se ouvindo um ou outro acorde. uma sonoridade que não provem da acumulação de vibrações mas da ressonância que elas geram ao trepidarem lado a lado. entre as invenções dos alunos do 4º ano da professora elda, as filosofias de quem vive isolado, a documentação da dança, o apontar de buracos, a denúncia, o sonho, a brincadeira, vamos ouvindo cada voz e reajustando a sensação de distancia ou proximidade, de diferente, estranho ou saboroso.
este é um dos escritos que saiu para a rua esta semana e que agora vive em casa de alguém, no bolso de outro alguém, a marcar o livro de ainda outro alguém…como um piscar de olho:

o coelhismo pode vir a ser pior que o salazarismo!
se começássemos esta notícia com números com certeza tudo ficaria mais “a sério”…quantos velhotes sozinhos a morrer diariamente, quantos adolescentes aterrorizados pelo desnorte da escola, pela apatia do ensino, pelo desamor, quantos sem abrigo pelas esquinas da cidade, quanta miséria no interior de quem tem casa, quantos investimentos sem pergunta e quantas perguntas sem investimento. uma dessas pessoas que vive isolada dizia esta semana “já vivi 3 crises, em cada uma tenho visto muita desgraça e também muitas reviravoltas, mas o coelhismo passa das marcas! o salazar tinha o país podre, não queria nada com os outros países… mas o coelhismo não quer que as pessoas se desenvolvam! não deixa falar os inovadores de hoje! porque não querem a escola da fontinha? se os pais, os professores, os alunos estão dispostos a trabalhar para alguma coisa em condições porque não deixam avançara escola? é gente jovem, não são arruaceiros violentos!” isolada, ela? sim, mas não fechada em si mesma. nós habitamos a rua cada dia e vemos a cada passo a importância de ouvir, de conversar, de abraçar, de estar junto.

lyncoln e sofia

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.