não é sempre assim o corpo? sempre mais complexo à medida que se vai entrando…

chegamos à lavandaria da rosa, a rua do benformoso é agora um buraco profundo com uma escavadora que mais me parecia um elefante gigantesco. o senhor do capacete amarelo olha para o monte de terra fedorenta com cara de quem preferia não estar a ver o trabalho que se avizinha. a rosa está a ajudar o alexandre a dobrar roupa para uma sacola, agora que vai para casa da tia uns dias. amália conta histórias de ratazanas que espreitam pelos buracos abertos na mouraria. mais uma vez coisas absurdas, vidas complicadas e uma ternura no ar indescritível. esta rosa é o chão de tanta gente por aqui, e a casa da amália? sempre aberta para quem queira almoçar.

chega o filipe faísca, vem de um outro universo mas entra nos braços abertos e começa a passar camisas. com rigor. conversas de costura e corte e vincos nas calças, eu coloco-me lado a lado, documentando.

um vestido para a mouraria, cheio de surpresas que irrompem de dentro para fora. talvez simples ao primeiro olhar e entretecido de complexidade à medida que se aproxima do interior.

à saída, a mãe meio confusa pergunta quem é este rapaz “é uma pessoa que acabei de conhecer e que vai ser meu amigo”

poderia lá haver apresentação mais generosa!

sofia

 

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.