a vida em mp3

ser-estar-fazer. até há pouco tempo pensava que o fazer revelava o ser ou o estar. sinto que fazendo se percebe à transparência o ser e o estar se eu estiver mesmo fazendo o que estou a fazer e não a julgar como deveria estar a fazer ou a sonhar com estar a fazer outra coisa. hoje escuto o fazer em si mesmo, como o ser em si mesmo, como o estar em si mesmo, todos-um-e-cada-um.
tantas vezes nos temos visto perante o “não fazer”, não engrossar linhas mortas ou que estão no seu tempo de morrer, deixar morrer. no entanto parece-me que hoje me dedico não a “não fazer” mas a não fazer se enquanto faço me desimplico do fazer. sinto que para estar implicada tem que haver uma pertinência, uma justeza, é a própria implicação que me serve de bússola para a afinação do que faço.
não faço para trazer ao visível, faço fazendo, embora o trazer ao visível me fortaleça a confiança naquilo que sinto presente. não faço sozinha.  o retorno do outro não se reduz à devolução da confirmação da minha existência. estarcom é ampliação em si mesma. talvez estandocom eu me aventure a ampliar o que vou percepcionando no acontecer de existir. as ondas do encontro abrem o espaço entre o que vejo e o que vejo, entre o que sou e o que sou, entre o que és e o que és. a diferença das coisas iguais.
um dos obstáculos parece-me ser a insistência nas palas que os burros usam (ou usavam) para não se distraírem com o caminho. quando gravamos em mp3 o próprio sistema de gravação “rapa” todas as sonoridades que co-existem com o som protagonista. “rapam” o lixo.como se “rapa” da história tudo o que acontece nas linhas do lado… pois sem esse lixo corremos o risco de nunca ver a mancha, de nunca ver o limiar subtil entre ser e não ser, entre estar e não estar, entre fazer e não fazer, já só nos apanhamos em paisagens menos distraídas, em certezas que se inter-substituem, em corpos estilhaçados.
e não basta ver, há que reconhecer que vi. ampliar a visão sem me assustar com a complexidade daquilo que não é evidente.
é preciso fazer sim! mas fazer fazendo! ser sendo, estar estando! é urgente existir!
…desconfio que o amor é um movimento de ampliação
sofia
(a foto de entrada é da cláudia durante um ajuntamento em porto brandão)

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.

Um Comentário

  1. fatima vaz

    a descoberta de um lugar novo pôe me todos os sentidos em alerta.sinto o no umbigo,lugar de cruzamento entre as forças dos braços com as pernas.eis então a conscienci ali acção (d) movimento…e vou…e faço….e sou.sei lá se estou. …é mais estando

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