da criação de um corpo na rota

Amplia-se a superfície. Esticar a pele, desdobrá-la em mil. As zonas de contato agora são outras. Não se trata de uma chave, um ligo/desligo. Há uma opção pelo estado de trabalho, em como alargar os micro poros, permitir a passagem em constante trânsito. Neste primeiro mês, a rota vila-anglo se fez com os que têm estado continuamente e os “visitantes”. Eis que então, na última rota, duas espécies de tempo se instauraram: o tempo de quem já estava; o tempo de quem chegou. O primeiro fazia-se evidentemente mais rápido, o outro evidentemente mais lento. Como se fôssemos dois corpos, duas matérias pergunto: conectamo-nos? Tais corpos, em suas diferenças, relacionaram-se? Dançaram junto? Formou-se um terceiro corpo, que já não é esse, nem aquele, mas um terceiro que se cria no encontro? Das perguntas que não calam, essa é vital. Vou seguindo e pensando que o estado de “presença” de um corpo se faz por inúmeras vias, inclusive a sustentação de uma abertura ao que vêm. Parece-me que o estado de “passeio” proposto pelas duas visitantes dessa semana colidiram com o que já ganhava forma em três encontros. Como se existisse previamente uma maneira de estar já estipulada, que não pudesse ser aquela, lenta, despretenciosa e quase leviana. Para o trabalho se dar, há critérios a serem respeitados? Penso que sim. Mas algo atenta às reações que se dão a partir do embate de corpos propondo diferentes. Sendo esta rota um corpo comum, feito de milhares de outros, quando se sustenta de fato o espaço da alteridade?
(amaranta)

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.

Um Comentário

  1. mais uma vez encontro a implicação…o estado de passeio pode ser brilhante se o passeio passear em si próprio abrindo-se assim à relação. se o passeio se transforma numa “estratégia pra conhecer”, numa ” maneira de passar o tempo que ate é agradavel”, numa ” medida para saciar a curiosidade pelo outro, pelo não eu, pelo exotico”….aí estamos feitos. o corpo precisa estar afinado, afinado no nada, afinado no estarcom que não é para nem porque. a entrada colonialista de “conhecer novas paragens!!encontrar novos mundos” é aterradora. estar estando implica implicação. estar fazendo o que estas fazendo, para nada.
    é muita generosidade acolher corpos mais apressados que entram sem escuta, mas aí tambem está o nosso trabalho…ajardinar a criação de uma atmosfera que potencie a escuta, aceitar profundamente essa entrada leviana ampliando a nossa escuta e afinando o encontro…desconfio que isso abre pelo menos a desconfiança de que somos todos muito diferentes e temos cada um uma pulsação muito propria que não se quer uniformizada, honrar esse brilho de cada um implica que esse tal cada um aprenda a ouvir.
    sofia

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s