antes…durante…depois [rota 3]

Entrei na Rua do Benformoso pelo Intendente. O chão está todo levantado no Largo do Intendente e não se consegue atravessar o largo. Passa-se, apenas, por um espaço muito apertado junto à parede. As peças daquele lugar mudaram de lugar. E o tempo também já não é o mesmo. Entrei, assim na rua do Benformoso um pouco mais abaixo. Segui pela rua, também com os passeios aberto. Viam-se coletes amarelos e capacetes. Baias que proibiam passagens. Olhei e vi uma rapariga. Pareceu-me ter uns 15 ou 16 anos. Estava de mochila às costas e um pouco encolhida em cima de um monte de areia ao lado de um buraco que estava a ser aberto. Pensei para comigo: “O que é que ela está ali a fazer? O sr. da escavadora ainda se destrai e ela vai parar ao buraco!”. Olhei outra vez com mais atenção. Afinal também tinha um colete amarelo e devia estar a vigiar a obra…estranho!

Continuei a andar! Ah, o chafariz desapareceu! O lugar do Chafariz do Benformoso deixou de ter chafariz…Não havia chafariz! Só um monte de pedras no chão…mas não havia chafariz! Espero que o estejam a pôr bonito. Estavam 3 homens da EDP a fazer alguma coisa naquelas caixas. Os homens estavam ali de roda não sei de quê e os comerciantes também estavam numa roda a espreitar. Eram como dois círculos. Eram só homens. Onde estão as mulheres? Mais à frente as montras enchem-se com roupas de Carnaval…máscaras e mais máscaras…

Na Rua da Mouraria “Ó careca! Estás aqui?”, “É por isso que lhe cortaram uma orelha…”, “Cala-te! Já te disse para te calares! Calaaaaaaaaaa-te!”. Uma tensão constante. O funcionário antipático da junta cola papéis num dos postes do centro comercial, a Anita está deitada num banco, os senhores estão sentados num banco, um casal novinho mostra um bébé recém nascido a quem passa, dois polícias encostados ao carro, um sr. que reclama terem-lhe tirado um subsídio…não sei bem…um lento e tenso cruzar de conversas em português.

No Martim Moniz abriu-se outro espaço. Uma praça ampla com gente que passa. Uns amontoados aqui e ali em redor dos quiosques e pouco mais. Os bancos demasiado expostos ao sol não permitem permanências mais demoradas. Às vezes sim, outras vezes não….

Agora na Praça da Figueira parece-me que uma barreira foi transposta. Sinto maior agitação. Este lugar está mais cheio mas talvez mais distante. Caminhar um pouco pelas 3 ruas (Fanqueiros, S. Nicolau e Augusta) adicionou outro contexto ao percurso. Primeiro à sombra e com um burburinho que se foi transformando em vozes mais sonoras e a uma confusão de línguas que me pareciam familiares.

A abertura e o afastamento da Praça do Comércio. É o espanto perante a imensidão. O ahhh,… plano, amplo, aberto, vazio, descoberto, sol, insolação,…

E depois é o estreitar outra vez. A sombra e a altura. O espaço ficou estreito. Caminhar. O regresso ao Cais do Sodré abriu um pouco mas pouco. Foi abrindo pelo caminho à beira rio com o sol e sem paredes. Estava o sol e a sua calmia. As gaivotas e os seus ruídos. Mas também o entulho e a sua poesia.

ana estevens

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.

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