rui

ler na rua, leio na rua com quem vem comigo lendo na rua, é muito curioso ler andando, o tal singular não solipsista, navegando entre universos sem se fechar. passamos as escadinhas de são cristovão e continuamos para a esquerda. bom dia.

encontramos o senhor rui.

sou uma pessoa de uma sensibilidade brutal. morei em lagos, pedi um divórcio amigável e ela não respondeu, mandou-me a carta de volta. passado uns tempos chega-me o pedido do divórcio litigioso. há 3 coisas que não voltam atrás, a bala disparada, a palavra pronunciada, a oportunidade perdida.mmmmmmm mm mm. estive no hospital de são lázaro que é só para acidentes de motos e de carros. foi um pagode estar lá. esta casa é pequena e o meu companheiro deixa tudo por todo o lado, é difícil viver aqui, por causa da perna não posso mexer-me muito, mas leio. quando ía a caminho de santa apolónia encontrava um amigo de famalicão, tinha uma pensão da frança, uma da alemanha e outra de cá, a famalicão só ia para por o dinheiro no banco.bebia muito, morreu por causa da bebida, dormia na estação embrulhado em papelões. ía comer a pedrouços e voltava para arrumar carros. “este mês hei-de meter 200 contos na banca” e eu dizia-lhe que ele havia de ir à feira da malveira à quinta feira perguntar à bruxa a que dia e a que horas ía morrer. assim quando ele soubesse disso já podia fazer uma transferência bancária para o céu. diz que o banco espírito santo é lá de cima mas tem uma delegação cá em baixo. chegas lá não precisas de roupa, se és gajo bom vais para o céu, falas com o são pedro, arranjas umas asinhas e vais de nuvem em nuvem até ao inferno buscar uma garrafa de aguardente que no céu não há, não tens companhia. quando era miúdo fiz uma redação sobre as pescas em portugal: os pescadores vão rio abaixo rio acima rio abaixo rio acima rio abaixo rio acima. o sr. professor vá para a merda!

tive um bom e os outros tiveram medíocre.

o rui, sr. rui, diz que não vai muito ao centro de dia, lá é tudo velho, está tudo a fazer de velho! trocámos livros, saimos para a rua toda de pedras levantada com as obras. “isto está bom é para cair aí”

quer voltar para lagos. agora que o companheiro morreu vai ser mais complicado.

mais complicado para mim também que gostava muito desse tal companheiro, o homem do bigode tipo azulejo, querido j.

sofia

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.

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