ao pé do cavalo e não do elefante

todos à beira do rio.eu outra vez no centro da praça, dessa vez ao pé do cavalo, não do elefante. o rio é pura melâncolia. mesmo assim, com o sol entrando, a água tipo diamante. não me atrai o cais das colunas. prefiro o silêncio. na praça do comércio sempre resigno-me a algum momento de solidão. passam por mim algumas pessoas conhecidas. param. olham. dizem qualquer futilidade. eu respondo com qualquer outra futilidade e sempre, mas sempre no silêncio,  acontece a inevitável separação. mas é confortável saber que estão todos por perto, a perambular pensamentos. se eu fosse capaz de ouvir pensamentos, as vozes me trariam noções espaciais, distâncias. a praça do comércio quando olha o rio é espaço puro. difícil alguém se cruzar. se esbarrar. talvez na saída do metro, na linha que é coreografada sempre igual, tão inevitável que se faz invisível. o pescoço hoje voltou-me a doer. ontem achei que tudo era novo e que o pescoço fazia parte disso. hoje com a frustração, a aceitação mais uma vez de que é preciso escuta. a memória hoje que tenho de ontem tem só a ver com como sou capaz de recriar em mim algo no presente. sendo assim, resignificar-me a cada segundo é que é o desafio. com o sol no pescoço já não penso tanto na dor, mas no conforto. suspiro. a praça hoje também é uma mistura de memória e estar ao pé do cavalo. a mari à minha esquerda. ambas pensando na distância, sabendo que estamos lado a lado. e basta. nessa hora as sombras andam à frente das pessoas. nessa hora, em direção à rua augusta. de costas dadas ao tejo, cada um vê-se dois e o homem na bicicleta passa ao fundo. agora mesmo não tenho fome e vejo no mínimo quatro máquinas de foto. a criança correu na direção dele. ele a carregou. só depois percebi a menina e a mãe por detrás com o carrinho. ele passou a mão pelas costas dela. continuaram andando. não era preciso palavras. só o mover-se com as sombras antecipando o encontro, em direção à rua augusta. é essa reta rua augusta-cais das colunas que cria deslocamentos na praça. e casacos, e sacolas, máquinas fotográficas, tempo, monumento, mendigo, louco, haxixe, elétricos, linhas, cabelos ao vento, brilho do rio, imensos tipos diferentes de sapato, o céu mais grande que a praça. é quase como se a própria praça fosse azul. a mari levantou-se. o homem ao lado levantou-se. mari-rio. lu-pedra, pedregulho. espanha, africa, itália, brasil, belém, pastéis de nata. o óbvio de tão óbvio revela-nos belezas simples ou simplesas belas. em quantas fotos será que eu saí?

praça do comércio por volta das 12:20h. dia 17 de fevereiro de 2012. luciana.

Sobre pedras2012

O Pedras d'Água é uma iniciativa do c-e-m centro em movimento (Lisboa -Portugal). Esta plataforma on line é um espaço para compartilhar a trajetória de todo o Programa Pedras d'Água '12, transitando entre documentações, imagens, escritos e outras formas que contemplamos para irmos levantando voo até planar sobre as criações e comunicações artísticas e outros acontecimentos que tomam corpo no Festival Pedras d'Água. em Julho próximo.

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